segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Protestos contra a corrupção e em apoio à Lava Jato levam milhares às ruas neste domingo.


Milhares de manifestantes protestaram nos 26 Estados brasileiros e no Distrito Federal, neste domingo (4), contra a corrupção e a favor da Operação Lava Jato. Sem uma pauta única, os manifestantes pediam, entre outras medidas, a rejeição às mudanças no pacote de medidas anticorrupçãoaprovadas pela Câmara dos Deputados, e o fim do foro privilegiado. 
Os protestos tiveram como principais alvos os presidentes do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), bem como "políticos corruptos" de forma generalizada. O presidente Michel Temer foi poupado e recebeu apenas críticas pontuais nas manifestações.
Os atos foram convocados pelas redes sociais por grupos como Vem Pra Rua e MBL (Movimento Brasil Livre), os mesmos que encabeçaram as manifestações a favor do impeachment de Dilma Rousseff (PT). O Vem Pra Rua diz que os protestos aconteceram em 245 cidades, mas não informa a estimativa de público total.




Protestos pelo Brasil criticam Renan e apoiam Lava Jato

Em São Paulo, as manifestações concentraram-se na avenida Paulista a partir das 14h; organizadores falam em 200 mil pessoas e a Polícia Militar, em 15 mil. Em Brasília, a chuva dispersou os manifestantes; a organização calcula 30 mil e a PM fala em 5.000. Em Curitiba, o ato foi em frente à sede da Justiça Federal; a organização estimou o público em 50 mil e a PM, em 8.000. 
Em nota, Renan e Maia afirmaram que as manifestações são "legítimas". A Presidência da República também divulgou nota sobre os atos, afirmando que os Poderes devem estar "sempre atentos às reivindicações da população brasileira".


Chequer: impeachment foi só 1º passo

Rogério Chequer, líder do Vem Pra Rua, afirmou ao UOL na noite deste domingo que os protestos "foram um grande sucesso da democracia" e destacou o caráter pacífico das manifestações pelo Brasil. "O Brasil deu hoje uma demonstração de que o impeachment [de Dilma Rousseff] foi só um primeiro passo [de reivindicações]."
Ele disse que o grupo "está de olho" em Temer e que o governo tem "coisas boas e coisas ruins", mas que não defende a saída do presidente. "Não temos nenhuma evidência que seja suficiente para nós iniciarmos um processo mais grave que vai destruir o pouco de estabilidade que a gente conseguiu reconquistar." 
Sobre as críticas a Renan, Chequer disse que ele acabou "personificando" o que os manifestantes repudiam e querem mudar na política de hoje, mas negou que o senador tenha sido o alvo preferencial.


Pacote contra a corrupção

Inicialmente, os protestos seriam contra a proposta de conceder anistia ao crime de caixa 2, articulada na Câmara. A medida, porém, foi deixada de lado pela cúpula do Congresso e pelo governo, em meio a manifestações contrárias e à crise envolvendo o ex-ministro da Cultura Marcelo Calero, que levou à saída de Geddel Vieira Lima da Secretaria de Governo.
As manifestações passaram a focar, então, no pacote de medidas anticorrupção, aprovado pela Câmara na madrugada de quarta-feira (30). O texto aprovado pela Câmara, porém, sofreu diversas mudanças. Dos dez tópicos originais, apenas quatro foram mantidos --outros três pontos foram adicionados pelos deputados.

reportagem. Willame Policarpo.

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