terça-feira, 30 de maio de 2017

Diminui a intenção de consumo para o Dia dos Namorados

Pesquisa da Fecomércio-MA revela queda de -11,8% do nível de consumidores que pretendem comprar produtos nesse período.

 

  

 

A percepção dos consumidores quanto ao atual cenário de instabilidade política deve afetar as vendas para o Dia dos Namorados 2017. Isso é o que a pesquisa de intenção de consumo para o período em São Luís, realizada pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Maranhão (Fecomércio-MA), revelando que 52,2% dos consumidores ludovicenses devem ir às compras, enquanto 43% não irão comprar produtos. Na comparação com 2016, os dados indicam para uma piora nos resultados, apresentando redução de -11,8% do nível de consumidores que pretendem comprar produtos e um aumento de 23,5% dos que não irão às compras.

O estudo, que foi realizado entre os dias 15 e 19 de maio de 2017, período que iniciou a maior crise política no Governo Federal após os desdobramentos da Operação Lava-Jato, demonstra que o otimismo de queda da inflação, crescimento da economia e criação de emprego vislumbrado nos últimos meses, encontra-se ameaçado em meio às incertezas políticas e econômicas verificadas nesse período. Dessa forma, a pesquisa realizada pela Fecomércio, revela que o momento é de replanejamento do empresário do comércio em relação às estratégias de vendas para o Dia dos Namorados deste ano.

“Mesmo com um cenário econômico com tendência favorável observado nos últimos meses, ainda não se evidenciam, na percepção dos consumidores, as bases sólidas para uma efetiva recuperação econômica, permitindo que instabilidades no cenário político possam ter efeitos negativos e imediatos sobre a demanda na economia. De fato, os consumidores estão mais conscientes quanto à capacidade de gastos e reavaliando seus orçamentos domésticos, mas acreditamos que esse momento tumultuado na política brasileira será superado sem interromper o caminho de recuperação econômica que estávamos trilhando em 2017”, enfatizou o presidente da Fecomércio-MA, José Arteiro da Silva.

Para o Dia dos Namorados deste ano, o levantamento, que entrevistou homens e mulheres maiores de 18 anos nos principais pontos de comércio na capital, identificou que o perfil do consumidor mais predisposto ao consumo deve ser formado por homens (58,7%), os que possuem mais de 36 anos (56,4%), com ensino médio (57%) e renda familiar mensal superior a seis salários mínimos (57,1%).

Produtos e locais

De acordo com a pesquisa desenvolvida pela Fecomércio para o Dia dos Namorados 2017, em relação ao mesmo período do ano passado houveram reduções de -5% para quem deseja comprar um produto e de -38,1% para quem ambiciona comprar dois produtos. De fato, os consumidores estão neste momento reavaliando seus orçamentos domésticos com possíveis implicações que devem afetar suas previsões de gastos e comprometer sua capacidade de pagamento de compromissos futuros.

“Esse pessimismo do consumidor quebra as expectativas favoráveis à recuperação econômica que vinham sendo formadas nos últimos meses e comprovadas pelos indicadores econômicos. Evidenciava-se no comércio varejista ampliado maranhense, por exemplo, variação positiva na comparação anual de 4,2% no volume de vendas, segundo a última Pesquisa Mensal do Comércio do IBGE. Somam-se a este dado, as expectativas de recuperação de receitas, que em face da turbulência política, comprime momentaneamente o ímpeto do empresário em realizar novos investimentos”, analisa o consultor econômico da Fecomércio-MA, Eduardo Campos.

Na análise dos produtos preferidos pelos consumidores, o setor de vestuário, higiene/perfumaria e calçados compõem os três primeiros segmentos em intenção de compras. Em comparação ao mesmo período do ano passado, o setor de vestuário apresentou elevação de 2,5% na intenção de compras, assim como o segmento de higiene/perfumaria avançou 8,8%, embora se ressalte que houve elevação também de inúmeros outros produtos constantes na pesquisa, evidenciando a diversificação que deve ser apresentada pelo comércio varejista local, gerando novas oportunidades de expansão das receitas pelo empresário do comércio.

Por outro lado, a pesquisa apresenta um perfil de consumidor para o Dia dos Namorados mais consciente da sua capacidade de gastos e direcionado a comprar produtos com valores menos elevados, uma vez que foram registrados quedas significativas nas intenções de compras de produtos com alto valor agregado, tais como relógios (-54,3%), celulares (-85,2%) e bebidas (-75%). Em contraponto, produtos com valores mais baixos obtiveram destaque no avanço das intenções de compras, tais como chocolates, carteiras/bolsas e material esportivo que alcançaram o dobro do percentual do ano anterior.

Comemoração e gastos

Na análise sobre a intenção de comemorar o Dia dos Namorados, observa-se a redução de -15,6% entre os que desejam celebrar a data e o aumento de 30% dos que não desejam comemorar. A piora na intenção de comemorar a data advém da necessidade de restringir novos gastos, objetivando manter a tradição de presentear, porém, limitando o valor empregado no período.

Quando comparado com o mesmo período de 2016, a intenção de ficar em casa ou na casa de parentes continua sendo a preferência dos consumidores e aumentou 8,5%, enquanto a disposição de comemorar nos restaurantes, que aparece em segundo lugar na pesquisa, recuou -10,1%. Para aqueles que preferem comemorar no cinema, a intenção diminuiu -5,5%, assim como nas praias, que apresentou queda de -28%, e com as viagens, que reduziram -13,3%. O destaque deste ano foram os hotéis/motéis, que avançaram 41,3% na preferência dos consumidores ludovicenses.

“Percebemos que a redução das expectativas relacionadas aos diversos locais para comemorar é uma decisão do consumidor de cortar gastos com os serviços de lazer e entretenimento, que possuem valores de grande impacto na renda disponível para consumo, embora se ressalte como única exceção, a elevação da preferência neste ano por hotéis/motéis. Além disso, o enxugamento das despesas relacionadas à comemoração traz à tona a possibilidade dos setores de serviços trabalharem o marketing de seu negócio direcionado à data festiva, já que o período possibilita uma oportunidade para estes setores reverem sua forma de atrair estes clientes”, destaca Eduardo Campos.

Em relação à média do valor do presente pretendido pelo consumidor este ano, ficou calculada em R$ 154 reais, enquanto a média do valor total da compra, considerando os gastos com a comemoração e aqueles que irão comprar mais de um produto para presentear, foi calculado em R$ 176 reais. Comparado ao mesmo período do ano passado, o valor médio do presente apresenta uma redução de -1,2%, mas quando se analisa o valor médio da compra, onde o volume do gasto é maior, observa-se uma elevação de 4,1%, que permanece no mesmo nível da inflação acumulada no período que é de 4,08%.

Destaca-se que a redução do valor médio do presente confirma a tendência de otimização dos gastos em função das expectativas negativas de curto e médio prazo formadas pelas instabilidades políticas e seus reflexos na economia local. Embora observa-se que o valor geral das compras no limite da inflação gere oportunidades de manutenção das receitas do comércio ludovicense em relação ao mesmo período do ano passado.

Pagamentos e onde comprar

Em relação ao ano passado, o pagamento à vista em dinheiro continua sendo a preferência dos consumidores mesmo com a redução -6%, e o uso do cartão de crédito, que aparece em segundo lugar, também reduziu -2,5%. Em seguida, aponta-se o uso do cartão de débito que aumentou em 5,8% e o uso de crediários/carnês que sofreu elevação de 33,3%.

De acordo com o economista Eduardo Campos, embora haja neste momento a redução da intenção de compras, o levantamento demonstra que o consumidor busca adotar um maior controle do seu orçamento com a realização do pagamento à vista. “Esse fato também é comprovado pela Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor, realizada pela Confederação Nacional do Comércio em parceria com a Fecomércio-MA, que indica redução do endividamento na capital maranhense em maio deste ano de -0,39% em relação ao mês anterior”, explica o especialista.

Quanto aos locais de compras, destaca-se que as lojas do shopping ainda são a preferência dos consumidores, mas apresentaram forte redução de -25,8% em face da escolha por locais mais populares como o Centro Comercial, que apresentou aumento de 69,1% e as lojas de rua/bairro/galeria (+37,8%), mediante a percepção dos consumidores de que são estabelecimentos que oferecem produtos mais populares e com preços mais acessíveis.

Contudo, essa concorrência entre as praças comerciais é saudável para os consumidores e também aos empresários de São Luís. Para os consumidores, observa-se que a maior concorrência tende a produzir promoções com preços que permitam a redução de seus gastos, e para os empresários, traz a oxigenação de novas ideias para seu negócio com o intuito de gerar novas receitas e a fidelização dos clientes.

De modo geral, mesmo em um cenário politico tumultuado, a Federação do Comércio do Maranhã acredita que em médio prazo, as condições econômicas de redução de juros e inflação controlada deverão colaborar para a retomada do ritmo das vendas, pois existe espaço para a ampliação do consumo diante da expansão do crédito ofertado aos consumidores verificado ao longo dos últimos meses na economia.

Saiba mais

A pesquisa realizada pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Maranhão (Fecomércio-MA) entrevistou 700 pessoas, entre homens e mulheres com mais de 18 anos, nos principais pontos de circulação de consumidores de São Luís. A margem de erro da amostra é de 3,7% e o nível de confiança da pesquisa é de 95%.


fonte JP

Reportagem : Willame Policarpo

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