terça-feira, 24 de julho de 2018

Final da era Sarney se repete.


Aproximação com Michel Temer não é desejada nem pelo candidato oficial.



Ostracismo, isolamento, marasmo… Há vários substantivos para definir a irrelevância do governo de Michel Temer para o debate eleitoral que se aproxima. Na última sexta-feira, quando começavam as primeiras convenções partidárias visando a sucessão presidencial, os dois únicos compromissos oficiais do presidente agendados eram uma solenidade pelo aniversário de Santos Dumont e uma convenção da Associação dos Homens de Negócio do Evangelho Pleno. Parece a reedição dos últimos meses de José Sarney à frente do Palácio do Planalto, em 1989.

Ambos os políticos demonstraram em sua história serem hábeis negociadores e conhecedores dos meandros do Congresso Nacional, mas a impopularidade do final de gestão tornou os dois presenças tóxicas para qualquer pleiteante ao principal cargo do país. 

Sarney fechou sua participação com uma avaliação negativa de 60% da população e Temer já atingiu o patamar de 79% de rejeição em junho.

Também na relação com deputados e senadores há uma similaridade. Acossada pelo fantasma da hiperinflação, a equipe econômica de Sarney lançou no início de 89 o Plano Verão, tentando salvar a moeda então chamada de novo cruzado. O Congresso desfigurou parte das propostas e rejeitou outra parcela. Uma tentativa de desvincular os benefícios da Previdência dos reajustes do salário mínimo, por exemplo, foi rejeitada. 

Temer também já teve sua dose de negativas dos parlamentares neste ano. A reforma previdenciária não vingou e a privatização da Eletrobrás só deve ser rediscutida ano que vem.

A única tentativa de Sarney de interferir no processo eleitoral foi uma manobra no TSE para permitir a candidatura do apresentador de TV Silvio Santos, frustrada e que só rendeu dores de cabeça para o político maranhense. 

Agora, Temer até deu suas bênçãos à candidatura de Henrique Meirelles pelo MDB, mas não tem conseguido reunir da tropa governista em torno desse nome. Sarney conseguiu retornar à cena política ao mudar seu domicílio eleitoral para o Amapá e se tornar senador. Talvez não sobre nem isso para Temer.


REPORTAGEM WILLAME POLICARPO.

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