RÁDIO TROPICAL FM 89,3

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segunda-feira, 16 de agosto de 2021

Faixa estendida ou escondida?


Ed Wilson Araújo, presidente da Abraço Maranhão.


Em constante processo de mudança e adaptações às novas tecnologias, o rádio está diante de uma nova realidade: a criação da faixa estendida no FM, de 76.1 MHz até 87.5 MHz. 


Atualmente, todas as emissoras FM estão posicionadas na faixa de 87.9 MHz até 107.9 MHz. O ouvinte, ao longo de décadas, está acostumado a sintonizar as emissoras nesse “território” do dial e todos os aparelhos de recepção, até mesmo nos carros, só disponibilizam esta faixa. 


Pode até ser que a faixa estendida seja um bom negócio para as grandes emissoras porque elas têm potencial para se adaptarem a quaisquer situações: recursos financeiros e profissionais, estruturas de marketing, verbas publicitárias públicas e privadas etc. 


Com esse poder, a mídia de mercado sobrevive em quaisquer circunstâncias. 


O problema é quando se vislumbra o cenário de colocar as rádios comunitárias na faixa estendida. Hoje, essas emissoras em sua grande maioria estão posicionadas nas extremidades da faixa de FM, em frequências como 87,9 MHz até 106.3 MHz e 107.9 MHz.


Visualizando o dial, as rádios comunitárias estão nas margens da faixa atual, que começa em 87,9 MHz, em posições pouco buscadas pelo ouvinte, que prefere as frequências centrais do dial. 


Se as rádios comunitárias já estão na margem da margem, imagine o que pode acontecer caso elas sejam deslocadas para a faixa estendida?! 


É como se uma pessoa estivesse na beira do precipício. Aí vem alguém e dá um empurrão para ela cair no abismo. Depois, joga uma caçamba de terra por cima. 


É esse o sentido: o governo federal quer matar as rádios comunitárias com essa falácia chamada faixa estendida. 


Faixa estendida para rádio comunitária é faixa escondida. Só vai servir para eliminar as pequenas emissoras do interesse da audiência; ou seja, esconder as rádios comunitárias. 


O ouvinte já acostumado na faixa 87,9 MHz até 107,9 MHz pode até fazer a busca das grandes emissoras comerciais na faixa estendida porque ele será motivado em campanhas de marketing para conhecer a novidade. 


As comunitárias, se forem jogadas no precipício da faixa estendida, terão mais dificuldade ainda de sobreviver na selva do mercado da mídia. 


O caminho mais coerente e adequado para as rádios comunitárias é o que vem sendo defendido pela Abraço Brasil: ocupar, resistir e transmitir na faixa atual de 87,9 MHz até 107,9 MHz! 


Sigamos lutando sem tréguas para mudar a Lei 9.612/98, assegurando mais canais e frequências, aumento da potência, direito às verbas publicitárias públicas e abertura para a veiculação de publicidade comercial. 


Não caia na falácia da faixa estendida. Essa palavra – estendida – só vai servir para esconder as rádios comunitárias. É escondida, isso sim. 

 

Fonte: Ed Wilson Araújo


Reportagem: Willame Policarpo

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